Francisco Galindo / EFE

Por: Francisco Galindo / EFE » 04/12/2008

Gregos e japoneses: frente e verso na freqüência de práticas sexuais

Pesquisa mostra como os casais ao redor do mundo lidam com o sexo

 A empresa Durex, uma das marcas mais conhecidas de preservativos na Europa, se tornou uma referência em estudos mundiais sobre relações sexuais, com a publicação dos resultados de um relatório sobre a freqüência desse tipo de prática em diferentes países.

O destaque desse documento – denominado genericamente Relatório sobre Bem-Estar Sexual e elaborado a partir de 26 mil entrevistas com pessoas de 26 países – é o ranking de práticas sexuais liderado pelos gregos, com 164, e que tem os japoneses na última posição. Estes admitem fazer sexo 48 vezes por ano e com uma preocupante tendência de baixa. A média mundial de relações sexuais está cifrada em 103.

Brasileiros, russos, chineses e poloneses seguem os gregos na lista dos mais ativos sexualmente e os americanos aparecem em penúltimo lugar. As nações onde os princípios religiosos islâmicos são seguidos com mais rigor, e onde falar dessa questão é tabu, não foram levados em conta na pesquisa, por isso que os resultados do estudo apresentam grandes lacunas.

A preocupação dos japoneses
As autoridades da "Terra do Sol Nascente" estão preocupadas diante do desinteresse de seus cidadãos pela prática sexual, um problema que afeta o país não só pelas repercussões no plano do bem-estar psíquico que o sexo proporciona, mas também pela alarmante queda da natalidade.

O relatório da Durex, que outorgou a "lanterna" ao Japão quanto à freqüência sexual, levou diferentes departamentos do Governo de Tóquio a estimular entre a população de forma periódica opiniões para medir o estado da questão.

Atualmente, o Japão é um dos países com menor taxa de natalidade do mundo, um fenômeno que ameaça por outro lado o futuro do sistema previdenciário e o revezamento na força de trabalho.

Todo um paradoxo, se for levado em conta que o país, que conta atualmente com cerca de 128 milhões de habitantes e uma das taxas mais altas de pessoas centenárias, viveu uma explosão da natalidade em meados de século 19, durante a instauração da era Meiji, que levou seus exércitos a iniciar ações bélicas para conquistar novos territórios com o objetivo de alojar seu excedente populacional.

Os resultados do estudo mais recente sobre práticas sexuais, encarregado pelo Ministério da Saúde e Trabalho japonês, que recomenda a "melhora da comunicação" com as pessoas do sexo oposto, caiu como um balde de água fria.

De acordo com os dados do relatório, um em cada três casais japoneses não mantém relações sexuais. O relatório, denominado "Estudo da Consciência e da Vida dos Homens e das Mulheres", alerta sobre o progressivo aumento dos casais que não praticam sexo no país. A pesquisa, dirigida pelo doutor Kunio Kitamura, revela que enquanto em 2004 a percentagem de casais sem sexo era de 31,9%, em 2008 ela aumentou para 36,5%.

"O cansaço provocado pelo trabalho" é o principal argumento levantado pelos japoneses e japonesas na hora de justificar a queda de sua atividade sexual.

Muitos dos entrevistados também se referem à "preguiça" como ponto de partida de sua inapetência sexual. Em contraposição, em outros países onde a freqüência sexual é muito superior se adverte sobre os cuidados na hora de "entrar em ação" diante do mínimo estímulo sexual, sobretudo por parte de mulheres cada vez mais liberadas.

O doutor Kitamura alerta por outro lado que se seus compatriotas não procurarem se comunicar mais e melhor o fenômeno vai aumentar "ainda mais". Por esta razão, o encarregado pelo estudo aconselha não trabalhar demais, dedicar mais tempo ao sexo e eliminar certos tabus da sociedade japonesa, presentes inclusive entre a comunidade médica, como o que não é adequado manter sexo durante a gravidez ou depois do parto.

Nigerianos em primeiro lugar no quesito satisfação
Os nigerianos ocupam o antepenúltimo lugar da lista, com apenas 53 relações ao ano frente às 164 dos campeões gregos, mas a estatística patrocinada pela Durex indica que os africanos são os mais satisfeitos do mundo e também os que dedicam mais tempo a esta prática: 24 minutos a cada sessão.

De acordo com o relatório, o Brasil ficou em segundo lugar no ranking de práticas sexuais. Setenta e nove por cento dos brasileiros responderam que o sexo é importante em suas vidas e consideram sua vida sexual estimulante e excitante. Em contrapartida, 42% apenas estão satisfeitos com a qualidade de suas relações sexuais. As mulheres são as mais satisfeitas.

O relatório revelou, por outro lado, que os espanhóis – oitavos na lista – praticam sexo 118 vezes ao ano, embora dediquem menos tempo ao ato – 16 minutos, dois a menos que a média.

Parece que as coisas estão mudando, no entanto, nos países onde o índice de freqüência é mais elevado. Frente a quem continua empenhado em colocar obstáculos a esse tipo de relação e reduzi-la a um tipo de atividade animalesca, há quem demande cada vez mais carinho, ternura e dedicação a ela.

Também é preciso levar em conta a idade na hora de falar deste tipo de relações. A maior capacidade sexual dos homens se manifesta entre os 17 e os 42 anos. A partir de então, os níveis de testosterona começam a cair e a demanda de relações diminui. Segundo o relatório, os homens chegam ao orgasmo mais freqüentemente que as mulheres.

Nos estudos mais gerais, os biorritmos de gênero mostram diferenças abissais: até os 25 anos, os níveis de satisfação são maiores em homens que em mulheres, mas a partir dos 34 anos são as mulheres que se sentem mais satisfeitas.

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